Por que Anti-Biográfico?
Toda biografia é ficção, mesmo que não se assuma como tal. Toda ficção é realidade. A farsa da biografia esta na criação de ficções verossímeis, de histórias lineares, que desde seu inicio apontam para um final, feliz ou trágico. Toda biografia tem um clímax e um objetivo politico, pessoal e/ou histórico. Histórias biografadas prezam por um sentido. Um enredo cheio de revelações, que jamais imaginamos sobre o ser biografado. Intrigas, relações escusas. Tudo para que uma vida desinteressante nos pareça, enquanto dura o livro, minimamente interessante. Toda vida biografada se torna desinteressante, porque ao ficar presa aos fatos histórico-lineares, ao sentido que o autor da perde aquilo que ela têm de vivo. Toda ficção é biográfica, é claro não no sentido aqui dado. As ficções falam mais de nós, justamente, pela sua falta de objetividade. Não paramos para escrever um texto, sobre nossa história, porque ela não cabe em linhas objetivas. é preciso "desobejetivar" a(s) história(s )para que ela ganhe existência. É preciso que as memórias que evocamos, não estejam tal qual aconteceram, pelo simples fato de que nunca vão estar dessa forma, o purismo histórico é ficção, e das ruins. É preciso evocar os silêncios que cortam nossas vidas. Lembrar dos esquecimentos. Relatar a memória tal como nos apresenta. Uma anti-biografia, é, em certo sentido um ato politico de não aceitação das narrativas únicas, lineares e heroicas, que povoam o imaginário ocidental. Anti-biografar é ouvir e amplificar as vozes desautorizadas, não só a de outros, mas também as minhas vozes que sou obrigado a desautorizar e silenciar. A história, não é a ficção dos vencedores, mas uma ficção plural, multicausal, multicultural. Seja em micro ou macro escala. Anti-biografar é devolver aos vários a(u)tores a sua própria história. A biografia é um lugar de monopólio do poder, de dizer e desdizer. A Anti-Biografia é lugar de distribuição de poder,e, se possível de rejeição do poder. Anti-Biografar é rejeitar o autoritarismo, é reescrever, quantas vezes forem necessário os vários relatos que se entrecruzam, nas realidades, porque cada realidade é única, e em cada momento somos únicos. É então, por fim, não aceitar identidades fixas, num ato politico-poético-performático de celebração do que somos, e do que não somos, porque ainda podemos ser.
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